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Beto Colombo

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Singularidade

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Singularidade
Recebi um e-mail de um amigo empresário depois da aula sobre Filosofia Clínica nas Organizações. Nessa aula, estudamos Schopenhauer, principalmente na parte de seus escritos, quando ele nos diz que o mundo é a nossa representação: “O mundo é a minha representação (...) tudo que existe, existe para o pensamento, isto é, o universo inteiro apenas é objeto em relação a um sujeito, percepção apenas, em relação a um espírito que percebe numa palavra, é a representação”.

Sendo assim, existem tantas representações de mundo quanto pessoas existem sobre a Terra.

“Como vou me posicionar diante de um ponto problemático como esse em minha empresa?” – perguntou o empresário. 

Veja só, disse-me ele: “Eu tenho uma visão de mundo que não é a mesma visão de meu diretor, que por sua vez tem uma visão diferente de seus subordinados, que por sua vez tem visões diferentes entre si, sendo às vezes impossível estabelecer uma única representação de mundo até mesmo num pequeno departamento em nossas empresas.

Em Filosofia Clínica se aprende a respeitar a representação do outro, o que não significa aceitá-la, vivenciá-la, mas compreender que o outro pode não ver o mundo da mesma maneira que eu vejo ou outra pessoa qualquer vê, que ninguém deve ter o monopólio da palavra e muito menos da verdade, que as pessoas não têm sempre as respostas e que a resposta provavelmente estará ligada ao seu acervo, a seus aprendizados durante sua história de vida. Em Filosofia Clínica, não há conceito de normalidade, anormalidade, rótulos, teorias.

Para nós, Filósofos Clínicos, o ser humano é plástico, flexível e está inserido num contexto muito específico que é o seu contexto. Ele é único e sem a sua historicidade não é possível compreendê-lo.

Assim, a Filosofia Clínica molda-se ao indivíduo através de uma relação dialógica, de um a posteriori, fornecido pela historicidade. Antes disso, nada sabemos diante do ser que se encontra diante de nós.

Se mais pessoas soubessem disso, muitos conselhos, agendamentos, dicas que fazem tanto estrago na malha intelectiva poderiam ser evitados.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre singularidade?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 30/08/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 31/08/2011.
Leia novos artigos nesse espaço a partir de março de 2012.
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