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Beto Colombo

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Sinto Vergonha

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Sinto Vergonha

Querido leitor, que você esteja bem. Nosso tema hoje é baseado em um texto de Rui Barbosa intitulado “Sinto Vergonha de Mim”.

Claro que todo texto tem seu contexto, circunstância, lugar, sua história, tanto social e econômica, quanto a história pessoal do seu autor. Como o texto em consideração é de um dos maiores expoentes intelectuais brasileiros, trazemos agora para nossa reflexão.

Sinto Vergonha de Mim, de Rui Barbosa.

“Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”, voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer… Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!”

Considerado o águia de Haia, Rui Barbosa finaliza seu texto centenário, mas nem por isso menos atual. Diz ele: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Talvez não devêssemos nos apegar a nada e nem rejeitar nada, muito menos tomar tais palavras como verdades absolutas, inquestionáveis. Não! Mas podemos ficar, então, com este desabafo como referência para nossa reflexão e, quiçá, para nossas ações.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, do que tem vergonha?

Beto Colombo

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4 Comentários para "Sinto Vergonha"

  • Alenir - 01/04/2014

    Não podemos perder a esperança de um Brasil Melhor. A maldade já vem de séculos. Porém, não podemos perder a esperança de um Brasil melhor. O comodismoo e o egoismo nos afastam de enxergar e agir de forma "sadia", assim considero. O meio familiar ainda é o elo de esperança em termos pessoas que buscam saiber porque existimos neste mundo, que respeitem as plantas, os animais, os idosos, as crianças... Você está fazendo a sua parte, escrevendo e divulgando.

  • Jô Lopes - 01/04/2014

    Bom dia Beto querido...!

    Que bom que você continua a nos propiciar,belo e reflexivos temas. Vivemos uma realidade em que está ficando mais complexas aos nossos ideias, de sermos na prática o que desejamos na teoria que aprendemos e procuramos ser.Exemplos:honesto,solidários e outras virtudes,mais.Penso,que este momento histórico é como um teste para nós, a fim de avaliarmos a firmeza e o aprimoramento da nossa identidade,aprendendo a conviver com os diferentes e com as nossas diferenças dos mesmos....

  • Albertina Manenti Silvestrini - 14/04/2012

    Caro Beto, nestes tempos deploráveis, com corrupção imperando de maneira avassaladora, o texto de Rui Barbosa que traz citações da escritora Cleide Canton permanece tão atual. Sendo assim em homenagem aos cidadãos de bem, entendo oportuno sua publicação, parabens .

    Estamos juntos
    albertina

  • adauton - 05/04/2012

    Acredito que quando o Homem pensar só em fazer o bem e não olhar o outro, o mundo mudaria.

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