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Beto Colombo

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SUP

Querido leitor, paz! Hoje vamos voltar a um tema que volta e meia falo sobre, que é o silêncio.

Ironicamente, não me calo, pois insisto em falar justamente nele, no silêncio. E o faço depois de curtir uma gostosa e prazerosa experiência com o Stand Up Paddle, ou SUP, esporte que despontou nas praias brasileiras neste ano de 2013 e que mistura canoagem e surf de uma só vez.

Depois que tive uma maior destreza para dominar o equipamento, e isso foi bastante rápido, consegui relaxar em cima da prancha e curtir. Foi aí que tive mais uma grande experiência neste verão. Justamente com uma prancha de SUP e desta vez nas águas límpidas e gostosas do mar de Jurerê.

Em uma gostosa manhã de céu aberto, o sol recém havia se mostrado, e eu já estava remando. Remava solitariamente sem rumo naquele imenso mar de água salgada. Lembro-me do cheiro da água, do friozinho batendo em meu rosto, dos meus pés molhados, enfim, senti-me terno, inteiro e extasiado com aquela experiência.

Ao voltar para a areia, depois de algum tempo absorto deitado em cima da prancha, já com o sol a pino, o barulho tomou conta. Lanchas, jet skis e barcos com passageiros deslizavam freneticamente de um lado para outro nas águas que até há pouco eram calmas. Sons de músicas bate estaca se encontravam, pois vinham de diversos lugares. Lembrei que nos anos 90, quando para lá fomos, às vezes o barulho cortava o silêncio. Hoje é o silêncio que, raras vezes, corta o barulho.

Recordei de uma ocasião em que alguém perguntou a Madre Tereza de Calcutá o que ela falava com Deus. Ao que ela respondeu: “Nada”. Mais do que isso, ela dizia que ficava em silêncio e o ouvia. Então o interlocutor da religiosa perguntou o que Deus falava, ao que ela respondeu: “Nada”. E continuou: “Ele fica em silêncio e me ouve”.

Por que será que fugimos tanto do silêncio? Será que quem não gosta do silêncio, não é o que está mais precisando dele?

Lembrando que isso é assim para mim hoje.
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 15/02/2013.

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3 Comentários para "SUP"

  • danielsouza - 24/02/2013

    /... eu adoro o silencio...é como andar em aguas profundas...é como surfar entre o ceu...é deitar na beira da praia num dia de inverno e ouvir somente o clamor das ondas do mar e o vento soprando no rosto.../eu amo as coisas simles...Deus é simples.

  • Ivanete March - 15/02/2013

    Sim! E não percebe pelo simples fato de que, com o silêncio, ele terá de interiorizar suas oclusões...os estígmas de sua alma, o lado obscuro que muitas vezes "grita" sem falar...Acho que fugir do silêncio, muitas vezes, é fugir de si mesmo. E porque "esconder-se" de algo que precisamos nos encontrar? Talvez porque nosso universo interior seja tão difícil de expressar, explicar.. mas é preciso entendê-lo
    Abraço,
    Iva

  • Jô Lopes - 15/02/2013

    Bom dia,Beto querido...!
    Que experiência maravilhosa você teve,envolvido pelo silêncio.Penso,que em alguns momentos temos ele como companheiro.Lembro de um momento especial, que tive um silêncio tão sublime que acho que fiquei em suspensão física,foi quando visitei a igreja do Monte das oliveiras em Israel,diante da pintura de Jesus meditando.Não,pronunciei nenhuma palavra só meu coração e minhas lágrimas expressaram aquele momento "divino".
    Abraços...Jô Lopes

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