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Beto Colombo

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Trabalhando seus medos

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Trabalhando seus medos
Queridos leitores: “Onde você estaria agora, o que estaria fazendo, se não estivesse com medo?” Foi o que escreveu Spencer Johnson em seu livro Quem Mexeu no Meu Queijo? Livro que trata, entre outras coisas, do medo da mudança.

O medo acompanha o homem desde o início da humanidade e foi pelo medo também que o homem sobreviveu até os nossos dias. Com medo do novo e do diferente, nossos ancestrais se esconderam e se protegeram em cavernas, organizaram-se em grupos buscando apoio uns nos outros para enfrentar seus medos.

Platão tratou desse assunto quando escreveu sobre o medo do novo, o medo do diferente na A Alegoria da Caverna. Ele diz “afinal de contas, o que existe lá fora?”, surge a dúvida, a incerteza, vem a ansiedade, aparece o medo. Além de Platão, muitos outros filósofos trataram desse assunto.

O místico Kabir diz que “a pessoa com medo é como alguém que está nu, mas nunca toma banho no rio porque tem medo – afinal de contas, onde ele irá secar suas roupas?”

Para o budismo, é pelo medo de sofrer que nos apegamos às coisas. Aqui está uma das origens do sofrimento, para a doutrina budista. 

São Thomas de Aquino, ao comentar a passagem do Evangelho de São João, “O Bom Pastor”, fala do mercenário que foge diante do lobo por medo de enfrentá-lo sem proteger seu rebanho, afirma ele que aquele que foge diante do lobo (medo) em um lobo se transformará. Isso era assim para Aquino.

A diferença do medo saúde e do medo doença, provavelmente seja a dose, um paralisa e o outro, apesar do medo, ele vai e faz.

Para os filósofos clínicos, esse assunto é tratado em consultório com muita responsabilidade e a resposta quase sempre está na sua história de vida. Medo de dirigir, por exemplo. Se um partilhante chegar ao consultório se queixando de medo de dirigir e que gostaria de perder o medo, pois pretende fazer aquela viagem pela BR-101 (conhecida como a rodovia da morte) com toda a família. Se ao tirar a historicidade do partilhante, o filósofo descobre que nos últimos meses ele bateu seu automóvel quatro vezes. Provavelmente, é o medo de dirigir que está salvando a vida dessa pessoa. E se irresponsavelmente esse medo é tratado, ou seja, eliminado, o filósofo pode estar condenando a morte o partilhante e talvez toda a sua familia.

É desse jeito que em filosofia clínica descobrimos por aproximação as prováveis causas do medo. Lembrando que para cada um é de um jeito.

Muitos outros filósofos e pensadores falaram e escreveram sobre o medo, medo do lobo, medo de morrer, medo de viver, medo do inferno, medo de arriscar, medo de ser preso, medo de ser livre, medo do novo, medo da própria sombra. E cada filósofo em seu tempo escreveu de seu ponto de vista e naquele contexto, é por isso que para cada um é de um jeito. Concluo esse artigo com Platão, retornando ao mito da caverna quando ele nos diz: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando o homem tem medo da luz”.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, tem medo de quê?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior FM no dia 02/09/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 03/09/2011. Artigos inéditos serão publicados a partir de março de 2013.
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5 Comentários para "Trabalhando seus medos"

  • Iva March - 17/01/2013

    Existencial! Para todos o medo é como uma situação "inflamável", eu diria. Oscilando constantemente. De fato, cada qual com seu contexto e opinião. E tudo que gira em torno do medo, não é bom. Porém, um homem precavido para alguma situação que poderá levá-lo ao perigo, a "dose certa do medo", levará o perigo para fora ou longe dele. Simultaneamente, nesse contexto de estar isoladamente "preso demais" no obscuro desses medos, contestará a liberdade e a coragem de enfrentar, encarar o mundo de fora, havendo "luzes e sombras".
    A sensatez seria o equilíbrio de cada indivíduo transpassar com prudência, é claro, e CORAGEM todas as circunstâncias da vida.
    Paz de Deus...
    Abraço,
    Iva

  • Ivanete March - 17/01/2013

    O medo persiste para cada um, em diferentes contextos/opiniões, é claro. Dele se se transformam para "homens com coragem e homens com coragem , porém com mais prudência".
    Muitos talvez sem nenhuma delas.
    De fato muitas vezes "a caverna", parece segura, entretanto para o equilibrio do homem e seus medos, não deve ater-se permanentemente nos obscuros de seus medos; e portanto, digamos que, fora dessa "caverna" há um "limite" ilimitado de cores, de sonhos, de plenitude...correr atrás do certo, tentar paralisar a insegurança, sem medo!
    Concluo que: O medo é inevitável, e a coragem por sua vez, é ilimitada.
    Paz de Deus...
    Abraço
    Iva

  • tiago duminelli - 17/01/2013

    - O medo cega nossos sonhos.



  • junior bithencourth - 24/02/2012

    tenho pensado sobre isso ja a algum tempo... "medo". todo ser humano tem seu próprio medo interior, pois sem "ele" nao podemos nos proteger e nem proteger a quem gostamos ou amamos. acho q o medo é um sentimento, tem pessoas q acha q nao. mas só quem é temente a Deus sobrevive a batalha.

  • Albertina Manenti Silvestrini - 07/09/2011

    OLÁ BETO, PENSO QUE SENTIR MEDO DE VEZ EM QUANDO FAZ PARTE DA VIDA . O PROBLEMA É VIVER COM MEDOS CRÔNICOS QUE PODE DEBILITAR UMA PESSOA TANTO FÍSICA QUANTO EMOCIONALMENTE. PARA CONTRIBUIR :UMA PESQUISA DO INSTITUTO GALLUP REALIZADA EM 2005, REVELOU QUE OS MEDOS MAIS COMUNS ENTRE OS ADOLESCENTES AMERICANOS SÃO :
    ATAQUES TERRORISTAS, ARANHAS, MORTE, FRACASSO, GUERRA, ALTURA, CRIME#VIOLÊNCIA, FICAR SOZINHO, O FUTURO E GUERRA NUCLEAR, ESTES FORAM OS 10 MAIS. E OS BRASILEIROS QUAIS SERIAM OS MAIORES MEDOS!

    UM ABRAÇO
    ALBERTINA

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