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Beto Colombo

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Universalização

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 Querido leitor, que você esteja bem. Hoje vamos falar sobre universalização.

Ouvindo o programa “Debate Aberto”, na Rádio Som Maior na semana passada, fiquei bastante preocupado com uma questão que assola boa parte da humanidade: a universalização. Sei que quando muitas pessoas generalizam, universalizam determinadas situações, é mais uma figura de linguagem, um vício, do que outra coisa. Mas gostaria de retornar ao que ouvi no debate onde o tema era a corrupção.

“Na corrupção há sempre dois lados”, comentou o professor de economia, Murialdo Gastaldon, uma das boas cabeças da nossa região. Que acrescentou: “Há o que é corrompido e há o que corrempe”.

Até aí, tudo certo. Se não fosse que o debate deslocou-se para o fato de quem corrompe são os empresários. Respeito as opiniões das pessoas e a elas deve ser dada toda a palavra e o crédito. Contudo, a generalização, a universalização geralmente leva ao erro. Os empresários? Que empresários? Quais empresários?

Em Filosofia Clínica, estudamos a quantidade das proposições utilizadas pela pessoa durante a sua historicidade. A quantidade das proposições diz respeito a quantas pessoas são afetadas, isso pode ser universal. Há as afirmações onde eu afeto todos, como a velha frase que diz que “todos” os políticos são corruptos. Há também as proposições particulares, que separam uma parte das pessoas e se dirige somente a elas, como exemplo temos a frase “a maioria dos empresários é corrupta”. Por fim, temos as proposições singulares, estas têm nome e sobrenome, ou seja, são proposições com um sujeito bem definido: “Fulano é corrupto”.

Dizer que a corrupção tem dois lados é inequívoco, mas dizer que o lado do corruptor é sempre do empresário é, no mínimo, discutível. Mas é compreensível, visto que os que usam frases com "todo mundo" ou "todos eles" pode não ter estado do outro lado. Pode soar como admiração mal controlada. O problema é que quando digo que todos os empresários são, eu realmente estou dizendo "todos", mas quantos empresários será que a pessoa que disse a frase conhece? Que tal se pessoas que dizem "todos" ou "ninguém" tentassem, ao menos, de vez em quando, se colocar no lugar do outro, do empresário, para ver se realmente são sempre eles e, além disso, se são “todos”. 

É que me coloquei como empresário e não me vi como corrupto. Olhei ao meu redor e vi tantos exemplos, não só em nossa cidade, região, estado, mas também como em nosso país, continente e planeta. Em todas as atividades humanas, seja ela educacional, religiosa, empreendedora, esportiva, cultural, turística, enfim, onde tiver ser humano, haverá os éticos e os não éticos, os corruptos e os corruptores. Mas há também os incorruptíveis.

É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre corrupção?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 16/11/2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 17/11/2011

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